O Ser Quântico – Uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência baseada na nova física – Final – 24.02.2016

O Ser Quântico – Uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência baseada na nova física – Final – 24.02.2016

— O Vácuo Quântico e o Deus Interior

Vivemos nossas vidas inescrutávelmente incluídos na fluente vida do Universo. Quando crianças, ao olhar para o céu noturno, víamos Castor e Póllux, Órion e Cassiopéia. Não eram simples configurações de estrelas, mas pessoas, heróis e heroínas sobre os quais lemos histórias emocionantes e cujos feitos de bravura inspiravam tantas fantasias e brincadeiras. Quando o vento soprava ou abatia-se uma tempestade, era Poseidon expandindo sua ira ou Zeus tendo uma explosão de raiva. Com um olho interior  procuramos no céu cristão e imaginamos em qual das luzes Deus tem seu trono. Também ele levantava ventos e fazia tempestades quando estava desgostoso com o mundo, mas era o mundo Dele, Ele o criara, e confiávamos Nele para tomar conta do mundo e de nós. Porém, quando crescemos um pouco e aprendemos o que o mundo é “na realidade”, aprendendo sobre astronomia, cosmologia e evolução, a fé da infância (e todo o mundo construído através dela) fica parecendo um monte de histórias fantasiosas. O céu noturno tornou-se algo frio e indiferente, e nossa própria existência uma questão acidental e insignificante no que diz respeito ao mundo. Nossa ciência rumava na direção oposta da nossa fé tradicional. Muitos já argumentaram no sentido de que as descobertas da ciência moderna não produzem, necessariamente, um impacto sobre a fé religiosa tradicional. Como diz o físico inglês Brian Pippard: “O verdadeiro crente em Deus não precisa temer – sua cidadela é inexpugnável dos assaltos científicos, pois ocupa um território fechado à ciência”. Nessa visão, a fé e a razão representam dois mundos distintos, falam línguas diferentes e têm diferentes noções de verdade. Um é estranho ao outro e nenhum dos dois pode aprender ou refutar o outro. Mas uma atitude do tipo avestruz (“Não quero nem saber a respeito”) diante da ciência não é o que se verifica na história da religião, nem na experiência pessoal da maior parte dos indivíduos. Continuar lendo

O Ser Quântico – Uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência baseada na nova física – 5ª Parte – 17.02.2016

O Ser Quântico – Uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência baseada na nova física – 5ª Parte – 17.02.2016

— O Corpo e a Mente

A maioria de nós sente que nossas mentes (ou almas) e nossos corpos são por alguma razão essencialmente diferentes um do outro, seja lá o que for que pensemos em nossas reflexões mais racionais. Nós nos experimentamos como um ser que tem ou que está dentro de um corpo. Sentimo-nos profundamente recolhidos, guardados, um algo intangível que espia o grande mundo lá fora e que pode desfrutar de toda a sorte de capacidades e liberdades, limitados apenas pelo corpo. Nos bons tempos transcendemos esta prisão de carne. Estamos saudáveis apesar de suas doenças, jovens apesar de seus cabelos brancos e rugas, “puros” apesar de sua “corrupção”. Continuar lendo

O Ser Quântico – Uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência baseada na nova física – 4ª Parte – 10.02.2016

O Ser Quântico – Uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência baseada na nova física – 4ª Parte – 10.02.2016

— O Paradigma Holográfico

Um holograma em si é apenas um tipo especial de dispositivo fotográfico que registra um padrão de interferência da luz vinda de duas fontes após a divisão inicial de um só facho de luz. Como a técnica do holograma dispensa lentes, baseando-se no registro de intensidade e de fase da luz, seu diapositivo tem uma maneira singular de armazenar informação sobre o objeto fotografado. A informação colhida sobre qualquer parte isolada do objeto difunde-se por todo o diapositivo de modo que, se algumas partes dele forem destruídas, ainda assim se poderá projetar a imagem total do objeto. Quanto maior a área de diapositivo destruída, mais embaçada será a imagem projetada. Em outras palavras,  A parte está no todo e o todo está em cada parte – uma espécie de unidade na diversidade e diversidade na unidade. O ponto-chave é simplesmente o fato de que a parte tem acesso ao todo. Há, conforme argumentam os defensores do modelo holográfico, uma “estranha semelhança” entre o modo como o cérebro e o holograma distribuem a informação por todo o sistema. Cada parte é inteirada da informação sobre o todo, embora, conforme apontaram os críticos, essa propriedade sozinha não diferencie totalmente a holografia da computação como modelo para o cérebro. As redes de nervos associativas no córtex cerebral aparentemente cumprem o papel de distribuição global da informação, e seu desenho um tanto bagunçado, sinuoso e cheio de rabinhos de porco, onde tudo parece aleatoriamente ligado a todo o resto, é a base dos novos computadores que utilizam processamento paralelo. Continuar lendo

O Ser Quântico – Uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência, baseada na nova física – 3ª Parte – 03.02.2016

O Ser Quântico – Uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência, baseada na nova física – 3ª Parte – 03.02.2016

— Pampsiquismo — pleno e limitado

A maior parte das pessoas provavelmente tem pouca dificuldade em aceitar a possibilidade de que todos os membros do reino animal possuem uma vida consciente em algum grau. Alguns de nós talvez precisem ser convencidos de que os caramujos possuem um “ponto de vista” ou de que as minhocas tenham livre-arbítrio, mas não está completamente fora de nossa capacidade imaginar que outras criaturas talvez partilhem conosco algumas das propriedades que normalmente associamos à percepção consciente. Algumas pessoas, ao menos, estão familiarizadas com a ideia – se não plenamente convencidas – de que outros seres vivos, como as plantas, também podem ser dotados de algum tipo de propriedade sensitiva rudimentar. Mas, se formos mais além, até chegar a uma posição pampsíquica, sugerindo que mesmo os objetos inanimados como pedras ou pedaços de pau (para não falar de elétrons) devem ser incluídos no conjunto de seres conscientes da natureza, estaremos indo muito além do alcance da intuição da maior parte das pessoas – ao menos daquelas influenciadas pela atmosfera intelectual dos últimos trezentos anos. Poucos dentre os que estão vivos hoje têm algum sentimento de semelhança com a terra sobre a qual caminham ou a poeira que inalam. E, no entanto, nossa intuição moderna sobre tais coisas está em dissonância com muitas plataformas de nossa história cultural pré-cartesiana e pré-newtoniana. Continuar lendo

O Ser Quântico – Uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência, baseada na nova física – 2ª Parte – 27.01.2016

O Ser Quântico – Uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência, baseada na nova física – 2ª Parte – 27.01.2016

— A Consciência do Gato

Os que já leram algum dos populares livros sobre mecânica quântica conhecem o gato de Schrödinger. Seu destino é o de viver e viver parcialmente. O pobre animal sofre de uma crise de identidade peculiarmente quântica, estando indefinidamente suspenso num estado intangível no qual não está nem vivo nem morto. Sua triste condição já gerou mais especulação e controvérsia do que qualquer outro problema levantado pela nova física, e não sem razão, pois ela lança a questão da consciência humana e seu possível papel na formação da realidade física. Ficou claro no último post que o enigma central a ser resolvido pela física quântica e por aqueles que gostariam de usá-la para falar sobre o mundo não é “Como é que as coisas podem acontecer?” mas, antes, “Como é que as coisas podem ser (ou existir?)” Se, como a corrente dominante dos físicos quânticos acredita, a realidade, em seu nível mais fundamental, for apenas um indefinido mingau de infinitas possibilidades, um fluxo pululante de ondas híbridas de matéria, como é que se consegue obter o mundo conhecido de objetos sólidos e definidos que vemos à nossa volta? Em que ponto e por que a matéria se torna real? Para ilustrar o problema e seu paradoxo, Irwin Schrödinger, um dos fundadores da teoria quântica, trouxe seu gato para a discussão. O gato de Schrödinger foi colocado em uma daquelas indefectíveis jaulas de laboratório usadas para experimentação com animais, só que desta vez as paredes da jaula eram sólidas. Isto é fundamental, pois para compreender onde repousa o paradoxo não se pode ver o gato até o final da história. Dentro da caixa opaca, Schrödinger arquitetou um experimento macabro. Ele colocou um pedacinho de material radioativo lá dentro, sendo que este material radioativo (para facilitar a metáfora) tem uma chance de 50% de emitir uma partícula de decaimento para baixo. Se a partícula for para cima ela encontra um detector de partículas que, por sua vez, aciona uma alavanca que libera um veneno letal para dentro do prato de comida do gato. O gato come e morre. De forma semelhante, se a partícula for para baixo é acionada uma alavanca que libera alimento e o gato sobrevive para enfrentar outra experiência. Continuar lendo

O Ser Quântico – Uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência, baseada na nova física – 1ª Parte – 20.01.2016

O Ser Quântico – Uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência, baseada na nova física – 1ª Parte – 20.01.2016

— Prólogo

Como o conhecimento da nova física poderá iluminar nossa compreensão da vida diária, ajudar-nos a entender melhor nosso relacionamento com nós mesmos, com os outros e com o mundo como um todo. Continuar lendo