Ainda há tempo para salvar o planeta? – 09.05.2017

Ainda há tempo para salvar o planeta? – 09.05.2017

Por milhares de anos, muitas gerações da humanidade vieram e se foram, mas a Terra continuou se renovando e sustentando a vida. Pelo menos, até agora. Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo entrou na chamada Grande Aceleração, um período de muitas mudanças. Em mais ou menos 70 anos, houve grandes avanços nas tecnologias de transporte, de comunicação e outras, que por sua vez causaram mudanças nunca vistas na economia. Muitos hoje levam um padrão de vida que antes se considerava impossível. E, nesse meio-tempo, a população da Terra quase triplicou….

Mas tudo isso tem um custo. As atividades humanas estão sobrecarregando os ciclos naturais da Terra. De fato, alguns cientistas dizem que estamos vivendo numa época geológica chamada de Antropoceno – um período em que os humanos causam danos cada vez maiores ao planeta.

A Bíblia (??) predisse um tempo em que o homem “arruinaria a terra”. (Revelação [Apocalipse] 11:18) Alguns se perguntam se já vivemos nessa época. Quanto estrago ainda será feito? Ainda há tempo para salvar o planeta?

— Um problema irreversível?

Será que a Terra está chegando a um ponto em que os danos serão irreversíveis? Alguns cientistas acham difícil prever os efeitos das mudanças climáticas. Por isso, temem que talvez já estejamos num ponto crítico, em que os danos causados por essas mudanças provocarão resultados desastrosos.

Considere, por exemplo, a camada de gelo da Antártida Ocidental. Alguns acreditam que, se o aquecimento global continuar, chegará um ponto em que o derretimento dessa camada será irreversível. Como assim? Por natureza, o gelo reflete os raios do sol. Quando a camada de gelo derrete, acaba expondo o oceano que está abaixo dela. O oceano, por ser escuro, absorve o calor. Quanto mais oceano fica exposto, mais calor é absorvido, o que aumenta o derretimento do gelo, criando assim um círculo vicioso. O resultado é um aumento no nível do mar, o que pode significar desastres na vida de milhões de pessoas.

— O prejuízo aumenta

Várias estratégias foram criadas para lidar com a “emergência planetária” que enfrentamos. Uma delas, conhecida como “desenvolvimento sustentável”, tem como objetivo promover o crescimento social e econômico respeitando os limites ecológicos do planeta. Quais têm sido os resultados?

Infelizmente, assim como acontece com a crise na economia mundial, a dívida do homem com o planeta aumenta de modo descontrolado. Os humanos gastam os recursos do planeta mais rápido do que a Terra consegue repor esses recursos. Pode-se fazer algo a respeito? Um ecologista admite: “A verdade é que não temos a menor ideia de como administrar o planeta.”

— A Terra, nosso Lar eterno

Pyarelal, secretário de Mohandas Gandhi, citou as palavras desse falecido líder espiritual da Índia: “A Terra provê o suficiente para as necessidades de todos os homens, mas não para a sua ganância.”

A Terra é valiosa demais para ser arruinada

— Um planeta mal administrado

• Atmosfera. “Há evidências incontestáveis de que a baixa atmosfera da Terra, os oceanos e a superfície terrestre estão ficando mais quentes … A principal causa do aquecimento a partir dos anos 50 são as atividades humanas.” – Sociedade Americana de Meteorologia, 2012.

• Solo. “Quase 50% da superfície terrestre foi modificada diretamente pela ação humana, com graves danos para a biodiversidade, os ciclos de nutrientes … e o clima.” – Mudança Global e o Sistema Terra (em inglês).

• Oceanos. “Cerca de 85% das reservas de peixe do mundo já foram excessivamente exploradas, estão esgotadas ou se recuperando da exploração.” – BBC, setembro de 2012.

• Biodiversidade. “Muitos cientistas acreditam que … a culpa pela (próxima extinção em massa), talvez a mais rápida da história da Terra, recairá totalmente sobre os humanos.” – De science.nationalgeographic.com (em inglês).

— A esfera da vida

O que é a “esfera da vida”, ou biosfera? De acordo com a NASA, é “a parte da Terra e de sua atmosfera que sustenta a vida”. Como a casca de um ovo, a biosfera é uma fina camada que envolve nosso planeta.

A biosfera se compõe de seres vivos e do ambiente – a atmosfera, o solo e os oceanos -, que provê a energia e os nutrientes que esses seres necessitam para viver. Por exemplo, as plantas absorvem a energia solar e a usam para converter dióxido de carbono, água e minerais em oxigênio e alimento. Humanos e animais consomem oxigênio e alimento e liberam dióxido de carbono e outras substâncias no ambiente. E o ciclo se repete. Dessa forma, a biosfera pode sustentar a vida indefinidamente.

O impacto do aquecimento global será “grave, abrangente e irreversível”, segundo um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) divulgado nesta segunda-feira. Autoridades e cientistas reunidos no Japão afirmam que o documento é a avaliação mais completa já feita sobre o impacto das mudanças climáticas no planeta.

Integrantes do IPCC dizem que até agora os efeitos do aquecimento são sentidos de forma mais acentuada pela natureza, mas que haverá um impacto cada vez maior sobre a humanidade. Mudanças climáticas vão afetar a saúde, a habitação, a alimentação e a segurança da população no planeta, segundo o relatório.

O teor do documento foi alvo de intensas negociações em reuniões realizadas em Yokohama. Este é o segundo de uma série de relatórios do IPCC previstos para este ano.

O texto afirma que a quantidade de provas científicas do impacto do aquecimento global dobrou desde o último relatório, lançado em 2007.

“Ninguém neste planeta ficará imune aos impactos das mudanças climáticas”, disse o diretor do IPCC, Rajendra Pachauri, a jornalistas nesta segunda-feira. O secretário-geral da Associação Mundial de Meteorologia, Michel Jarraud, disse que se no passado as pessoas estavam destruindo o planeta por ignorância, agora já não existe mais esta “desculpa”.

— Enchentes e calor

O relatório foi baseado em mais de 12 mil estudos publicados em revistas científicas. Jarraud disse que o texto é “a mais sólida evidência que se pode ter em qualquer disciplina científica”.

(imagem BBC World Service)

Nos próximos 20 a 30 anos, sistemas como o mar do Ártico estão ameaçados pelo aumento da temperatura em 2 graus Celsius. O ecossistema dos corais também pode ser prejudicado pela acidificação dos oceanos.

“Ninguém neste planeta ficará imune aos impactos das mudanças climáticas.” – Rajendra Pachauri, diretor do IPCC

Na terra, animais, plantas e outras espécies vão começar a “se deslocar” para pontos mais altos, ou em direção aos polos. Um ponto específico levantado pelo relatório é a insegurança alimentar. Algumas previsões indicam perdas de mais de 25% nas colheitas de milho, arroz e trigo até 2050. Enquanto isso, a demanda por alimentos vai continuar aumentando com o crescimento da população, que pode atingir nove bilhões de pessoas até 2050.

“Na medida em que avançamos (as previsões) no futuro, os riscos só aumentam, e isso acontecerá com as pessoas, com as colheitas e com a disponibilidade de água”, disse Neil Adger, da universidade britânica de Exeter – outro cientista que assina o relatório.

Enchentes e ondas de calor estarão entre os principais fatores causadores de mortes de pessoas. Trabalhadores que atuam ao ar livre – como operários da construção civil e fazendeiros – estarão entre os que mais sofrerão. Há também riscos de grandes movimentos migratórios relacionados ao clima, além de conflitos armados.

— Quem paga?

Em lugares como a África, as pessoas estarão particularmente vulneráveis. Muitos que deixaram a pobreza nos últimos anos podem voltar a ter condições de vida miseráveis.

(imagem BBC World Service)

— O que é o IPCC?

A função do Painel Intergovernamental da ONU para Mudanças Climáticas (IPCC), nas suas palavras é “suprir o mundo com visões científicas claras sobre o estado atual do conhecimento em mudanças climáticas e seus potenciais impactos ambientais e socioeconômicos”.

Com o aval da ONU, a entidade já produziu quatro grandes relatórios até hoje.

O IPCC é uma organização pequena, sediada em Genebra e com uma equipe de 12 funcionários que trabalham em turno integral. Todos os cientistas que colaboram com o painel o fazem de forma voluntária.

Mas o professor Saleemul Huq, outro coautor do relatório, disse que os países ricos não estarão imunes.

“Os ricos terão que se preparar para as mudanças climáticas. Estamos vendo isso agora na Grã-Bretanha, com as enchentes de poucos meses atrás, as tempestades nos Estados Unidos e a seca no Estado da Califórnia”, disse Huq.

“Estes eventos são multibilionários, que precisam ser pagos pelos ricos, e existe um limite no que eles podem pagar.”

Outro coautor, Chris Field, apontou que existem alguns lados positivos do relatório. Segundo ele, o mundo tem condições de administrar os riscos previstos no documento.

“Aquecimento global é algo muito importante, mas nós temos muitas ferramentas para lidar de forma eficiente com isso. Só é preciso lidar de forma inteligente com isso”, diz Field.

— Mas um dos problemas que ainda não tem resposta é: quem pagará a conta?

“Não cabe ao IPCC definir isso”, disse José Marengo, cientista brasileiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que participou das negociações em Yokohama.

“O relatório fornece a base científica para dizer que aqui está a conta, alguém precisa pagar, e com essas bases científicas é relativamente mais fácil ir às negociações da UNFCCC (Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas) e começar a costurar acordos sobre quem pagará pela adaptação do planeta.”

Visão pessoal…

“O mundo está mudando” já virou slogan. Novos e velhos canais, jornais, veículos. Dos especialistas de áreas tradicionais aos “gurus”, todos adotaram a ideia de “crise estrutural” em seus discursos, textos, colunas, editoriais. Por todos os lados, segmentos e áreas a mesma mensagem é cada vez mais repetida. E a realidade, teimosa como sempre, insiste em lhe conferir uma veracidade cada vez maior. Em meio a um mar cada vez mais caudaloso de opiniões sobre um mesmo tópico, dúvidas que atingem o cerne da questão ainda se mantêm na superfície deste oceano de pontos de vista, respirando com certa dificuldade: o que de fato está acontecendo? Qual a magnitude destas mudanças? Qual o impacto disso na nossa vida? Sim, o mundo está mudando. No entanto, há alguns elementos importantes que fazem com que esta mudança pareça ser de um tipo “especial”, daqueles que aconteceram algumas poucas vezes na história da nossa espécie mas transformam muita coisa. Estas crises estruturais apresentam elementos curiosamente similares, isto é, em muitas das mudanças pelas quais as sociedades humanas passaram ao longo da história, algumas forças estiveram sempre presentes (ainda que em seus contextos históricos específicos). Zygmunt Bauman, que afirmou que “estamos num interregno: entre o que deixou de ser e o que ainda não é. Nenhum dos movimentos sociopolíticos e tratados climáticos que ajudaram a minar as bases do velho mundo está pronto para herdá-lo. Não surgiu nenhuma ideologia ou visão consistente que prometa dar forma a novas instituições para este novo mundo”, até Frederic Jameson que, por sua vez, destacou que “de nada adianta substituir uma estrutura institucional inerte (o planejamento burocrático) por outra estrutura institucional inerte (o mercado). O que se requer é um grande projeto coletivo do qual participe uma ativa maioria da população, como algo pertencente a ela e construído por sua própria energia”. Por onde começamos a construir este “projeto coletivo”? As novas tecnologias disponíveis hoje (contextualizadas em suas capacidades de avanço exponencial) nos permitem redesenhar a realidade e construir novos modelos e paradigmas? A verdade é que quando ninguém sabe a resposta e as informações estão cada vez mais disponíveis, todos nós nos tornamos parte fundamental da solução do problema. O futuro ainda está por ser escrito e, em um mundo cada vez mais hiperconectado, o protagonismo e a responsabilidade desta autoria são nossos. A Terra precisa que eu e você sejamos co-autores destas novas narrativas, que escrevamos estas páginas com responsabilidade e uma visão sistêmica, em rede, que considere todas estas relações de interdependência que tornam o planeta um grande organismo vivo, intrínseca e irreversivelmente conectado. O primeiro passo para salvar o planeta, portanto, pode ser tão fácil quanto trocar as lentes dos óculos por meio dos quais enxergamos o mundo e o nosso papel nele. A questão é se estamos de fato preparados para deixarmos o “velho paradigma” pra trás. Ou se ainda temos alguma outra opção que não seja lançarmos as naus neste oceano de águas incertas que chamamos de futuro…

Inspiração…

Mudanças Ambientais da Terra … – Instituto Geológico

Mudanças Climáticas: Impactos Físicos e Socioeconômicos

O Clima da Terra: Processos, Mudanças e Impactos

Recomendo…

Fonte – Monicavox

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