Câncer e causas – Novas pesquisas e descobertas… – 29.03.2017

Câncer e causas – Novas pesquisas e descobertas… – 29.03.2017

Talvez você se lembre de uma pesquisa que afirmou que a maior parte dos cânceres aconteciam por puro azar… É isso mesmo: não adianta levar um estilo de vida saudável, pois você ainda terá grandes chances de ficar doente por conta de uma mutação aleatória(???)… Essa afirmação causou um furor gigantesco no meio científico. Houve diversos estudos e insinuações de que os autores tinham sido pagos pela indústria química e de cigarros… Agora, eles estão de volta. Os mesmos pesquisadores, da Universidade Johns Hopkins (EUA), continuam afirmando que “má sorte” pode ter um grande papel no desenvolvimento de câncer – mas isso NÃO SIGNIFICA que a doença está além do alcance da prevenção.

— Novos números

Em um estudo publicado na última quinta-feira na revista Science, os pesquisadores reforçaram sua descoberta original, mas também corrigiram interpretações errôneas amplamente difundidas sobre seus resultados. Desta vez, usando registros de saúde de 69 países, eles concluíram que 66% das mutações genéticas causadoras de câncer surgiram do “azar” de uma célula saudável cometer um erro aleatório ao copiar seu DNA durante uma divisão. Enquanto isso, 29% dos cânceres são devidos a fatores ambientais e 5% à hereditariedade (genes herdados pela família biológica).

Diferentes tipos de câncer diferem significativamente nessa estatística, no entanto, pelo menos 60% das mutações que provocam câncer de pele e pulmão são devidas ao meio ambiente, comparadas com 15% ou menos nos cânceres de próstata, osso, cérebro e mama.

O número 66% não significa que dois terços dos cânceres estão além da prevenção. Porém, pode proporcionar conforto aos milhões de pacientes que desenvolveram câncer, mas levaram estilos de vida saudáveis, e especialmente para os pais de crianças que têm câncer e podem culpar a tragédia nos genes que passaram para o seu filho ou no ambiente que forneceram.

— O azar…?

O estudo original comparou como as taxas de câncer em diferentes tecidos se relacionam com a frequência com que células saudáveis nesses tecidos se dividem. Os cientistas encontraram uma correlação muito próxima. Células do intestino grosso se dividem com frequência, e 5% das pessoas desenvolvem câncer nesse tecido. Já células do intestino delgado se dividem raramente, e apenas 0,2% das pessoas desenvolvem câncer lá. Como as células em divisão nem sempre copiam seu DNA perfeitamente, cada divisão é uma oportunidade para uma mutação causadora de câncer. Quanto mais divisões, mais cânceres.

Em geral, eles descobriram que cerca de dois terços da diferença nas taxas de câncer de um tipo de tecido para outro é devido às diferenças nas taxas de divisão celular nesses tecidos. Essa conclusão valeu para todos os 17 tipos de câncer e todos os 69 países analisados.

— Os fatores ambientais

Isso não significa que dois terços dos cânceres são causados por erros na cópia do DNA, no entanto. A causa de muitos cânceres pode ser fatores ambientais. Várias mutações são necessárias para o câncer. Portanto, se duas das três mutações necessárias surgem de erros de cópia, mas a terceira vem de um carcinógeno ambiental, evitá-lo definitivamente impede o câncer.

Há uma diferença entre como as mutações causadoras de câncer acontecem e se esse câncer é evitável. Por exemplo, 65% das mutações no câncer de pulmão surgem aleatoriamente, mas 89% desses cânceres são evitáveis se a pessoa não fuma.

Além disso, o efeito do ambiente sobre o câncer vai além das mutações, caso em que a prevenção pode ter um papel ainda maior. Se células malignas formam um tumor depende, entre outras coisas, dos níveis de inflamação, insulina e obesidade. Essas influências não aparecem em análises genômicas como as que os pesquisadores de Hopkins fizeram, mas são afetadas por fatores de estilo de vida e ambientais, de acordo com o bioestatístico do câncer Ross Prentice.

Ou seja, a exposição ambiental pode influenciar o risco de câncer de muitas formas, incluindo se as células do seu corpo reparam as mutações causadoras de câncer e se o seu sistema imunológico destrói as células tumorais antes que elas causem de fato a doença.

— Porque aumentam os casos de câncer?

“Por que eu?” é certamente um questionamento comum para pessoas diagnosticadas com câncer. Além desse sentimento individual, há uma ideia geral de que cada vez mais pessoas são abatidas com a doença, o que não parece fazer sentido considerando os avanços na prevenção e no tratamento da condição. A boa notícia é que hoje nós temos de fato mais chance de sobreviver a um diagnóstico de câncer do que em qualquer outro momento da história. No entanto, os casos da doença parecem aumentar devido principalmente a esses três fatores, conforme explica o Dr. Bhavesh Balar, hematologista e oncologista do CentraState Medical Center em Freehold, Nova Jersey (EUA).

— Pessoas mais velhas têm mais câncer, e estamos ficando mais velhos

Como as doenças cardíacas, o câncer afeta principalmente a população mais velha, mas estamos com índices cada vez maiores de pessoas mais novas com câncer. Cerca de 77% de todos os cânceres são diagnosticados em pessoas com mais de 55 anos de idade, um segmento da população que deve dobrar até 2060, só nos EUA. No Brasil, segundo dados do IBGE de 2010, pouco mais de 15% da população têm mais que 55 anos. A probabilidade é que a expectativa de vida continue crescendo, e mais idosos significa mais casos de câncer. Hoje, as pessoas vivem décadas mais do que apenas um século atrás, quando não costumavam passar dos 50, mas a alimentação em geral piorou muito e os fatores ambientais também contribuem para uma piora na qualidade de vida da população.

— A obesidade abre a porta para vários tipos de câncer

Um segundo fator-chave para o aumento das taxas de câncer é a epidemia de obesidade e a contínua falta de uma dieta adequada, exercício e controle de peso. Dados de agosto de 2010 da Pesquisa de Orçamentos Familiares mostram que o Brasil está ficando mais gordinho. O excesso de peso em homens adultos saltou de 18,5% para 50,1% nos últimos anos, enquanto em mulheres saltou de 28,7% para 48%. Em 2014, a Sociedade Americana de Oncologia Clínica divulgou um relatório alertando que a obesidade deve ultrapassar o tabaco como o fator de risco número 1 para o câncer. A condição está associada a uma maior probabilidade dos seguintes tipos de câncer: de mama (após a menopausa), do cólon e do reto, do esôfago, do endométrio, do pâncreas, do rim, da tiróide e da vesícula biliar.

— Certos tipos de câncer estão em ascensão

Como já falamos, fatores como a obesidade causam um aumento de cânceres como os gastrointestinais, que afetam o sistema digestivo – estômago, vesícula biliar, fígado, pâncreas e intestino (intestino delgado, intestino grosso ou cólon, e reto). Além disso, cerca de metade dos cânceres de fígado nos Estados Unidos ocorrem em pessoas com hepatite C crônica, e o aumento da incidência da doença é consistente com o envelhecimento da população com hepatite C. Cânceres nessa região do corpo podem ser particularmente difíceis de diagnosticar, já que os sintomas imitam outras doenças menos graves, como síndrome do intestino irritável ou refluxo ácido, o que permite que o câncer se espalhe sem ser tratado.

Outra coisa que tem aumentado o número de pessoas com câncer é o vírus HPV. Sexualmente transmissível, ele tem 40 mutações diferentes e milhões de pessoas infectadas não têm sintomas externos, de forma que continuam passando o vírus adiante. Geralmente, ele não causa muitos problemas, mas quando o organismo não consegue combatê-lo, o HPV pode causar alterações celulares com o potencial de transformarem-se em câncer. Os tipos mais comuns associados com o HPV são o de cabeça e pescoço, incluindo a base da língua e as amígdalas. Os mais graves são câncer do colo do útero, vagina, vulva, ânus e pênis.

Por fim, a incidência de câncer de pele – que já é o mais comum entre todos – tem aumentado, apesar de ser uma doença bastante evitável. A falta de proteção solar e comportamentos intencionais de bronzeamento são alguns dos fatores que aumentam as taxas de câncer de pele, mas a consciência disso não parece ser suficiente para as pessoas se protegerem. Os dois tipos mais comuns de câncer de pele são nas células basais e nas células escamosas, geralmente na cabeça, face, pescoço, mãos e braços. O melanoma representa menos de 2% dos casos de câncer de pele, mas é o tipo que resulta em mais mortes.

Visão pessoal…

O envelhecimento e crescimento da população mundial estão no centro da razão do aumento no número de casos de câncer, bem como a disseminação de fatores de risco em países de baixa e média renda. Estes incluem o uso de tabaco, obesidade, falta de atividade física e má alimentação – que, no relatório, caracterizam “um estilo de vida industrializado”, causando aproximadamente metade das mortes por câncer nos Estados Unidos e Europa Ocidental. Ao mesmo tempo, as taxas de morte por câncer diminuíram em cerca de 20% ao longo dos últimos 20 anos nos Estados Unidos e Europa Ocidental. Isto se deve, em grande parte, a campanhas de prevenção, especialmente à diminuição do tabagismo. O uso desta substância em países com menor renda faz o contrário: que as taxas de mortalidade por câncer aumentem. Outros hábitos que causam câncer comuns no Ocidente, como dietas nutricionalmente pobres e de alto teor calórico que promovem a obesidade, também estão aumentando em lugares com menos renda. Esses países também têm infraestruturas inadequadas de médicos e saúde pública. Nos países economicamente em desenvolvimento, os cânceres são frequentemente diagnosticados numa fase tardia, quando eliminar a doença não é mais possível. Muitas vezes, as pessoas sofrem por causa de cuidados paliativos ruins. As drogas para tratamento dos casos já instalados não estão disponíveis para tratamento da condição em mais vinte países, e são difíceis de obter em muitos outros. O câncer não tem de ser inevitável. Há muita coisa que você pode fazer para reduzir o risco que você corre, por exemplo: Não use produtos de tabaco. Se você fuma, pare. Nunca é tarde demais para parar. Os benefícios para a saúde podem ser vistos tão cedo quanto 24 horas após o último cigarro. Fique em equilíbrio. Evite o excesso de ganho de peso em todas as idades. Para aqueles que estão com sobrepeso ou obesos, emagrecer, nem que seja só um pouco, tem benefícios para a saúde e é sempre uma boa hora para começar. Limitar a ingestão de bebidas e alimentos altamente calóricos é uma das chaves para ajudar a manter um peso saudável, assim como ter uma dieta saudável, com ênfase em alimentos de origem vegetal e cuidar das quantidades ingeridas. Também elimine as carnes vermelhas e processadas. Coma, pelo menos, 2,5 xícaras de frutas e legumes todos os dias. Escolha cereais integrais em vez de produtos de grãos refinados; opte por gorduras boas como as sementes e oleaginosas e óleos de cadeia média, como azeite extra virgem e óleo de coco. Por fim, se você beber álcool, não abuse. Faça atividade física regularmente. Os adultos devem se dedicar a pelo menos 150 minutos de exercícios de intensidade moderada ou 75 minutos de exercícios vigorosos por semana. As duas modalidades podem ser combinadas e o ideal é que as atividades físicas estejam distribuídas ao longo da semana. Já crianças e adolescentes precisam de ao menos uma hora de atividade de intensidade moderada ou vigorosa por dia, sendo que a atividade vigorosa deve estar presente em no mínimo três dias por semana. Evite o comportamento sedentário, como ficar sentado, deitado, assistindo TV ou outras formas de entretenimento que não requeiram que você se movimente. Evite a exposição solar desnecessária, o sol é absolutamente indispensável – por causa da vitamina D3 que é altamente anti-câncer – mas tome sol conscientemente. 20 minutos ao meio dia, sem filtro solar, é suficiente e vai aumentar sua imunidade…

Nota do Monicavoxblog: Os vídeos anexados neste post são obrigatórios para quem quer se ver livre de todas as doenças, inclusive do câncer; mude seus hábitos, faça suplementos inteligentes, corte as comidas e produtos industrializados e salve sua vida…

Inspiração…

Câncer de Colo Uterino? Fatores de risco, prevenção – Revistas USP

Câncer de Pulmão – Revista Medicina, Ribeirão Preto

Câncer de Pele (pdf) – PUSP – LQ

O Sentido de Cuidado na Vivência da Pessoa com Câncer – Teses USP

Exploring Cancer Pharmacogenomics – ICB – USP

Manual de Oncologia USP (pdf) – Entrevista Dr. Thiago Rego

Sensor criado na USP e na UFSCar detecta predisposição para Câncer

Óleo de Copaíba é testado em 9 tipos de Câncer – Unicamp

Indicações Clínicas – Departamento de Farmacologia ICB-USP

Tabagismo e Câncer de Pulmão – IESC/UFRJ

Guia do HPV (pdf) – Instituto do HPV

Fórum Temático Oncoguia – Diagnóstico Precoce do Câncer‎

LiveScience

InfoEscola

GovBR

StatNews

Recomendo…

Fonte – Monicavox

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s