A inacreditável sintonia fina do Universo – 30.11.2016

A inacreditável sintonia fina do Universo – 30.11.2016

Se pararmos para pensar na possibilidade e nas chances do universo ter sido criado pelo acaso, nós ficaríamos espantados. Todo o universo parece ter sido projetado para a vida. Literalmente centenas de condições são necessárias para a vida na Terra, da densidade de massa do universo à atividade sísmica, deve ser ajustado para que a vida possa existir. A chance de todas estas coisas aleatoriamente acontecendo é, literalmente, impossível. A probabilidade contra isso acontecer é muitas ordens de magnitude maior do que o número de partículas atômicas em todo o universo. Com um projeto tão impressionante, é difícil acreditar que somos simplesmente um acidente. Esta é uma das maiores evidências da existência do Plenum Cósmico/Deus.

universo_1O argumento da sintonia fina é um poderoso argumento pela existência de Deus (ou como queiram chamar, não importa o nome) que afirma que a fina sintonia de algumas quantidades e constantes do universo estão em determinados valores longe dos quais seria impossível que a vida surgisse ou mesmo que o Universo existisse. Todavia, a probabilidade de tais valores coincidirem com tal precisão é de tamanha impossibilidade que, alega-se, evidenciam a existência de um Projetista do Universo, nomeadamente Deus. A questão da sintonia fina do Universo é discutida não só na filosofia da religião e na teologia, mas também é discussão entre os físicos e os defensores do Design Inteligente. Algumas teorias naturalistas têm sido levantadas para explicar esta sintonia fina, tal como a teoria do Multiverso, o que diminui a improbabilidade, ou de que outras formas de vida que não conhecemos poderiam existir caso tais valores fossem diferentes, entre outras. Todavia, estas hipóteses são falhas e em nenhum caso conseguem ser melhores do que a hipótese de design. Como disse o filósofo e teólogo William Lane Craig em seu debate contra o ateu e químico Peter Atkins:

“Durante os últimos 30 anos, cientistas têm descoberto que a existência de vida inteligente depende de um balanço delicado e complexo de condições iniciais simplesmente dados no próprio Big Bang. Nós agora sabemos que universos que impedem a existência de vida são vastamente mais prováveis do que um universo que permite a vida como o nosso. Quanto mais provável? A resposta é que as chances de que o Universo deveria permitir a vida é tão infinitesimal que é incalculável e incompreensível. Por exemplo: Stephen Hawking estimou que se a taxa de expansão do Universo tivesse sido menor mesmo em uma parte em 100.000.000.000, o Universo teria entrado em colapso em uma grande “bola de fogo”. Brandon calculou que as chances contra as condições iniciais serem satisfatórias para a formação de estrelas, sem as quais os planetas não existiram, é de 1 seguido de mil bilhões de bilhões de zeros; P.C.W. David estimou que uma mudança na força da gravidade, ou na força fraca, em apenas uma parte em 10 elevado à 100º potência teria impedido um universo que permita vida.

Existem cerca de 50 destas constantes e quantidades presentes no Big Bang que precisam ser finamente sintonizadas para que o Universo permita a vida. Então improbabilidade é multiplicada por improbabilidade, por improbabilidade até a nossa mente estar realmente em números incompreensíveis. Não há uma razão física porque estas constantes e quantidades possuem os valores que eles têm.

Paul Davis, um físico ex-agnóstico, comenta: “através do meu trabalho científico eu vim a acreditar mais e mais fortemente que o universo físico é posto conjuntamente com uma engenharia tão deslumbrante que eu não posso aceitar meramente como um fato bruto.” Similarmente, Fred Hoyle marca: “uma interpretação de senso-comum dos fatos sugere que um Super Intelecto tem uma ligação com a física”, e Robert Jastrow, o cabeça da NASA Instituto Governamental para Estudos do Espaço, chamou isso de “o argumento mais poderoso para a existência de Deus jamais vindo da ciência”.

Visto que já temos em mente que é impossível que o acaso tenha gerado o Universo e, consequentemente, tudo o que há nele, tenhamos em mente a seguinte afirmativa:

“Necessidade física significaria dizer que o Universo tinha que ser daquela maneira; ele precisa ser finamente sintonizado”. Segundo o Dr. Craig, todavia, isso seria muito implausível porque estas constantes e quantidades sintonizadas das quais estamos falando são independentes das leis da natureza, elas não são determinadas pelas leis da natureza. Elas são arbitrárias, colocadas no começo inexplicavelmente. Logo, não são fisicamente necessárias. Este ponto pode ser organizado da seguinte maneira:

1 – A fina sintonia do universo pode ser resultado de necessidade física.

2 – Ser resultado de necessidade física implicaria na sintonia fina ser dependente de leis da natureza.

3 – Todavia, a sintonia fina é independente das leis da natureza, pois trata-se de constantes e quantidades puramente arbitrárias.

4 – Logo, a sintonia fina do universo não é devido à necessidade física.

a-teoria-do-big-bangEvidências de Design no Universo

Leia mais: Relatividade Geral como uma Teoria de Campo e Teorias Alternativas da Gravitação -Teoria da Gravitação de Curto Alcance – Cosmologia e Gravitação Clássicas – O Programa do Universo Eterno- Formação de Estruturas no Universo – Teoria de Perturbações do Campo Gravitacional – Cosmologia e Gravitação Quânticas

Existe cerca de 50 constantes e quantidades no Universo que constituem no argumento da sintonia fina. Abaixo, vejam estas evidências:

1 – Constante de acoplamento gravitacional: Se maior que 1.4 massas solares, a expectativa de vida solar seria de curta duração. Se menor que 0.8 massas solares, simplesmente não existiria elemento para sua auto produção.

2 – Força nuclear forte da constante de acoplamento: Se maior, não existiria hidrogênio, que é essencial para a vida. Se menor, só existiria o hidrogênio, e mais nenhum elemento.

3 – Força nuclear fraca da constante de acoplamento: Se maior, todo o hidrogênio seria convertido em hélio no Big Bang, então, os elementos seriam pesados demais. Se menor, hélio não seria produzido durante o Big Bang, portanto, os elementos não teriam peso suficiente.

4 – Constante de acoplamento do Eletromagnetismo: Se maior, sem ligação química, elementos mais massivos que o boro seriam instáveis à fissão. Se menor, simplesmente não haveria ligação química nenhuma.

5 – Relação de prótons para a formação de elétrons: Se maior ou menor, o eletromagnetismo dominaria a gravidade, impedindo planetas, estrelas e galáxias de se formarem.

6 – Proporção de elétrons para massa de prótons: Se maior ou menor, não existiria reação química.

7 – Taxa de expansão do Universo: Se maior, as galáxias não se formariam. Se menor, o universo entraria em colapso antes da formação de estrelas.

8 – Nível de entropia no Universo: Se maior, não haveria condensação dentro das proto-galáxias. Se menor, elas não se formariam.

9 – Densidade massiva do Universo: Se maior, haveria muito deutério do Big Bang e isso faria as estrelas queimarem absurdamente rápido. Se menor, o Big Bang não produziria Hélio, deixando os outros elementos com peso insuficiente.

10 – Idade do Universo: Se mais velho, não haveria estrelas solares estáveis na parte direita da galáxia. Se mais novo, elas não estariam formadas ainda.

11 – Uniformidade inicial de radiação: Se suave, estrelas, aglomerado de estrelas e galáxias não se formariam. Se grossa, o Universo hoje teriam inúmeros buracos negros titânicos e espaços vazios.

12 – Distância média entre as estrelas: Se maior, a densidade de elementos pesados seria fina demais para a produção do solo de planetas. Se menor, as órbitas planetárias estariam desestabilizadas.

13 – Luminosidade solar: Se acrescentada muito cedo, efeito estufa descontrolado. Se acrescentada muito tarde, oceanos congelados.

14 – Estrutura fina das constantes: Se maior, as estrelas não seriam maiores que 0,7 massas solares. Se menor, elas não seriam menores que 1.8 massas solares.

15 – Taxa de decaimento de próton: Se maior, a vida seria exterminada pela radiação emitida. Se menor, não haveria matéria suficiente no Universo para a vida.

16 – Nível de energia do C12 ao O16: Se maior, oxigênio insuficiente, se menor, carbono insuficiente.

17 – Taxa de decaimento do 8Be: Se mais devagar, a fusão de elementos pesados geraria explosões catastróficas em todas as estrelas. Se mais rápido, não haveria a produção de elementos químicos necessários para a vida.

18 – Diferença de massas entre nêutron e próton: Se maior ou maior, os prótons decairiam antes da formação de um núcleo estável.

19 – Excesso inicial de núcleos sobre anti-núcleos: Se maior, muita radiação se formaria nos planetas. Se menor, não haveria material suficiente para as galáxias se formarem.

20 – Tipos de galáxias: Se muito elípticas, a formação de estrelas cessaria antes do acúmulo suficiente de materiais pesados para a química da vida. Se muito irregulares, a radiação exposta na ocasião seria muito severa e elementos pesados para a química da vida não estariam disponíveis.

21 – Distância da estrela-mãe do centro da galáxia: Se mais longe, a quantidade de elementos pesados para a formação do solo dos planetas seria insuficiente. Se mais perto, a densidade estrelar e a radiação emitida seriam absurdas.

22 – Número de estrelas no sistema planetário: Se mais de um, as marés iriam perturbar a órbita planetária. Se menos de um, não haveria produção de calor suficiente para a vida.

23 – Data de nascimento da estrela-mãe: Se mais recente, a estrela não teria ainda atingido a fase de queima estável. Se menos recente, o sistema estelar ainda não conteria elementos pesados suficientes.

24 – Massa da estrela-mãe: Se maior, a luminosidade mudaria muito rápido, queimando a estrela mais rapidamente. Se menor, a gama de distâncias adequadas para a vida seria muito estreita e os raios ultra-violetas seriam inadequados para a vida botânica.

25 – Idade da estrela-mãe: Se mais velha ou mais nova, a luminosidade mudaria absurdamente rápido.

26 – Cor da estrela-mãe: Se mais avermelhado ou azulado, a resposta fotossintética seria insuficiente.

27 – Erupções de supernovas: Se muito perto ou frequente, a vida no planeta seria exterminada. Se muito longe ou infrequente, não haveria matéria cinza suficiente para a formação de planetas rochosos.

28 – Anãs brancas binárias: Se poucas, não haveria flúor suficiente para a química da vida. Se muitas, a vida no planeta seria exterminada.

29 – Velocidade de escape da gravidade na superfície: Se mais forte, a atmosfera teria muita amônia e metano. Se mais fraco, a atmosfera do planeta perderia muita água.

30 – Distância da estrela-mãe: Se mais distante ou mais próximo, não haveria um ciclo de água estável.

31 – Inclinação da órbita: Se muito grande, as diferenças de temperatura no planeta seriam extremas.

32 – Excentricidade orbital: Se muito grande, as temperaturas nas estações seriam extremas.

33 – Inclinação axial: Se maior ou menor, a diferença de temperaturas na superfície seria absurda.

34 – Período de rotação: Se mais longo, as diferenças de temperatura durante os períodos do dia seriam absurdas. Se mais curto, a velocidade do vento na atmosfera seria extrema.

35 – Interação gravitacional com a lua: Se maior, os efeitos nos oceanos, atmosfera e período de rotação seriam graves. Se menor, causaria instabilidades climáticas severas.

36 – Campo magnético: Se mais forte, as tempestades eletromagnéticas seriam severas. Se menos forte, não nos protegeria das radiações estrelares emitidas.

37 – Espessura da crosta: Se mais espessa, muito oxigênio seria transmitido da atmosfera para a crosta. Se mais fina, as atividades vulcânicas e tectônicas seriam absurdas.

38 – Montante total de proporção de luz refletida que cai na superfície: Se maior, haveria uma era do gelo. Se menor, efeito estufa fora de controle.

39 – Taxa de oxigênio e nitrogênio na atmosfera: Se maior ou menor, as funções avançadas da vida procederiam muito rapidamente.

40 – Nível de dióxido de carbono na atmosfera: Se maior, efeito estufa fora de controle. Se menor, as plantas não seriam capazes de manter a fotossíntese eficiente.

41 – Nível de vapor de água na atmosfera: Se maior, efeito estufa fora de controle. Se menor, não choveria.

42 – Nível de ozônio na atmosfera: Se maior, a temperatura na superfície seria muito baixa. Se menor, seriam muito altas e, consequentemente, estaríamos mais expostos à radiação U.V.

43 – Taxa de descargas elétricas na atmosfera: Se maior, muita destruição ocorreria. Se menor, muito pouco nitrogênio seria fixado na atmosfera.

44 – Quantidade de oxigênio na atmosfera: Se maior, plantas e hidrocarbonetos iriam queimar muito facilmente. Se menor, não haveria ar para respirar.

45 – Relação de oceanos por continentes: Se maior ou menor, a diversidade e complexidade das formas de vida seriam extremamente limitadas.

46 – Materiais do solo: Se tiver menos ou mais nutrientes, a diversidade e complexidade das formas de vida seriam extremamente limitadas.

47 – Atividade sísmica: Se maior, muitas formas de vida seriam destruídas constantemente. Se menor, os nutrientes nos pisos dos oceanos (de escoamento do rio) não seriam reciclados para os continentes por meio de levantamento tectônico.

48 – Júpiter: Se não existisse, a terra seria bombardeada por objetos espaciais potencialmente perigosos que poderiam atingir a terra. Se a gravidade fosse menor, também ocorreria.

49 – Buracos negros: Se mais, tudo seria sugado. Se menos, muitos objetos poderiam atingir a terra.

50 – Interação entre gravidade e eletromagnetismo: Se mais forte, não haveria vida. Se mais fraca, as moléculas de nosso corpo não se formariam, portanto, também não haveria vida.

E agora? Você acredita que o Universo é oriundo do acaso ou foi projetado?

Visão pessoal…

Só há uma objeção possível para o argumento da sintonia fina, que é a hipótese do Multiverso. A existência de outros (talvez infinitos) universos além deste em que vivemos e que, por sua quantidade, tornariam a probabilidade da sintonia fina deste universo mais plausível para a hipótese de surgimento ao acaso. Todavia, esta objeção é desacreditada por alguns motivos, tanto filosóficos quanto científicos: Não há a menor evidência científica e filosófica que corrobore esta hipótese, é pura especulação que não sai do campo da simples possibilidade. Este problema traz, ao menos, 5 problemas:

1 – Trata-se de uma resposta não-científica pela simples ausência de evidências (o que entra em contradição com muitas falas ateístas).

2 – Tendo em vista que é difícil, senão impossível, verificar a veracidade desta hipótese, esta é, ao menos no presente momento, uma hipótese não-falseável e, portanto, mais uma vez não-científica.

3 – Aceitá-la como verdadeira consistiria numa ação de pura fé, e não de razão (o que entra em contradição com muitas falas ateístas).

4 – Aceitá-la como uma refutação válida seria cometer a falácia de simples possibilidade num ato imprudente: Mesmo que seja realmente possível que haja vários universos e que isso explique a sintonia fina, essa possibilidade não equivale a uma certeza e, neste caso, a hipótese de Deus ainda é mais plausível, pois seria apostar em pura especulação quando já há uma explicação plausível.

5 – Não extingue o problema de como tais universos surgiram, ou seja, não é uma hipótese explicatória de grande poder, pelo contrário, aumenta o problema, em tratando-se de vários universos.

O maior engano perpetrado por esta objeção, todavia, ainda parece ser o problema da simples possibilidade. Aparentemente ateus, ao apresentarem a hipótese do Multiverso, mesmo que não haja evidência alguma nessa direção, parecem tomar o argumento como refutado, o que evidentemente não é verdade, pois o argumento só seria realmente refutado caso fosse demonstrado que a sintonia fina não tem nada a ver com Deus. Não basta considerar esta possibilidade, sem nenhuma evidência. Na possibilidade do Multiverso, o máximo dano que ocorre no argumento é a necessidade de lembrança de que se trata de um argumento indutivo, o que não representa nenhum problema, por se tratar de um argumento indutivo desde o princípio, o argumento já considera a possibilidade de que não há ligação entre Deus e a sintonia fina do universo e, portanto, mencionar a possibilidade do Multiverso apenas tange esta possibilidade naturalmente aberta em raciocínio indutivo, mas não dá nenhuma força no sentido de mostrar que as evidências não apontam para Deus. Este é um dos argumentos mais fortes para a existência de Deus, que curiosamente, foi o argumento que converteu o notável filósofo Antony Flew, considerado um dos maiores ateístas do século XX, ao teísmo.

Inspiração…

O Universo elegante: Supercordas, dimensões ocultas e a busca da teoria definitiva – Brian Greene

A Expansão do Universo (The Expansion of the Universe) – Ioav Waga – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Física Rio de Janeiro

Introdução à Cosmologia

Veja aqui

(Nota Gilberto – Leia também: “Os Cientistas da Nova Era – Brian Greene – O Universo Elegante – A Realidade Oculta – O Mundo em Cordas – 33ª Parte“)

Recomendo…

post-30-11-2016

Fonte – MonicaVox

2 respostas em “A inacreditável sintonia fina do Universo – 30.11.2016

    • Bom dia irmã Dagmar,

      Nossa irmã Mônica escreve artigos maravilhosos, e tenho o maior prazer em postar aqui no Blog para ampliar o nível de divulgação. Sou grato à ela por todo material.

      Namastê!

      Gilberto

      Curtir

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