A farsa da Coca-Cola Verde – O desespero para manter-se no mercado e o consumidor incauto paga a conta – 10.08.2016

A farsa da Coca-Cola Verde – O desespero para manter-se no mercado e o consumidor incauto paga a conta – 10.08.2016

A Coca “mais saudável”, batizada lá fora de “Life”, tem 50% menos açúcares e usa a folha da stevia (estévia), um adoçante natural, em contraponto ao açúcar da cana. A bebida será adoçada com uma mistura de ambos. A ideia é atingir consumidores que gostam de Coca-Cola, mas que querem reduzir o seu consumo diário de açúcar (parar de ingerir açúcar é a melhor pedida). Em junho, os primeiros comerciais e campanhas sobre a nova Coca-Cola chegaram à televisão e internet. Com rótulos e embalagens verdes, o refrigerante estará disponível nas garrafas PET de 1,5l e 1l e também na lata de 350 ml.O preço será o mesmo da Coca original. A marca também vai aproveitar o apoio aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio (?!!!) e o mote esporte/saúde para divulgar o novo produto (um absurdo ligar este veneno á esporte).

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Demora

Antes, essa versão da Coca-Cola, que já era antiga em outros países, não era lançada no Brasil por conta de uma norma do Ministério da Agricultura. O decreto 6871/2009 não permitia que bebidas não-alcoólicas misturassem tipos diferentes de açúcares e edulcorantes em suas composições. Mas a autorização finalmente aconteceu em dezembro de 2015 com o decreto nº 8.592 do ministério.

A propaganda da Coca-Cola Life mostra cenas do cotidiano, que despertam o lado emocional e afetivo do consumidor, fazendo-o lembrar de seu primeiro beijo – associando essa ideia de “primeira experiência” com o fato de experimentar pela primeira vez a nova Coca-Cola e se apaixonar pelo seu sabor e suas qualidades,(tudo manipulação das mentes incautas, que por natureza são associativas e despreparadas para os mais espertos).

A nova versão da Coca-Cola foi lançada na Argentina pelo fato de o país ser o quinto maior consumidor mundial do refrigerante. ”A Argentina é um centro de negócios por excelência e é onde o consumo dos três tipos de Coca (a Tradicional, a Light e a Zero) cresceu 27% nos últimos 5 anos (cadê a consciência que está se expandindo?? – realmente ainda são muito poucos seres humanos que estão decidindo sozinhos suas escolhas, a maioria ainda é conduzida por mídias interesseiras e desinteressadas no bem estar do ser humano).

As versões Light e Zero da Coca-Cola utilizam aspartame entre os ingredientes, o qual está associado ao desenvolvimento de câncer, segundo algumas teses (veja aqui – estudos).

Logo, para atender as demandas atuais de preocupação com ambiente, sustentabilidade e saúde, o que a Coca-Cola fez? Lançou a versão Life, “vestida” de verde, com utilização de um edulcorante natural, a estévia, e com a garrafa de origem parcialmente orgânica, reforçando o caráter “natural” do produto (mais manipulação e associação para lucrar cada vez mais com os adormecidos manipuláveis).

Coca Cola-Post-12.08.2016-2Coca Cola-Post-12.08.2016-3Contudo, não é tão lindo como parece. Na verdade, essa versão é adoçada não só com estévia, mas também com açúcar. Desde que o Parlamento da União Européia autorizou a venda do adoçante estévia, em novembro de 2011, todas as “macro” indústrias de alimentos se lançaram em uma busca frenética de captar adeptos para seus novos produtos elaborados com estévia. Entre esses adeptos estão os indivíduos portadores de diabetes, hipertensão, obesidade… Enfim, doenças decorrentes dos maus hábitos alimentares que (coincidentemente?) essas mesmas empresas ajudaram a causar (isso os despertos já sabem, por isso a importância de divulgar estas informações para os ainda não despertos).

Porém, nos países em que esse tipo de produto é lançado – em que a estévia é utilizada entre os ingredientes – uma questão é levantada: será utilizada a própria estévia ou uma “pitada” dela, conhecida como Truvia?

Coca Cola-Post-12.08.2016-4Mas o que é a Truvia?

Segundo informações e pesquisas, a Truvia é um adoçante natural, com alto poder adoçante, feito a partir das folhas da estévia (uma planta originária da América do Sul, utilizada há anos como adoçante).

Os ingredientes que compõem esse adoçante são: Erythritol, stevia leaf extract, natural flavors.

. Erythritol – um açúcar na forma de álcool (poliol), que pode causar diversos desconfortos gastrointestinais – presente em MAIOR quantidade;

. Stevia leaf extract – extrato das folhas de estévia, presentes em menor percentual, o que já descaracteriza classificar o produto como um “derivado natural da estévia” (afinal, se fosse mesmo um derivado, esse ingrediente não deveria aparecer em maior quantidade?);

. Natural flavors – aromatizantes naturais (verdadeira incógnita sobre o que seriam esses aditivos…).

O marketing da Truvia é muito bom em maquiar a verdade sobre esse produto, utilizando imagens de folhas e da cor verde nas embalagens e no site, com o intuito de enfatizar o caráter “natural” do produto.

Ah, e uma última informação: a Truvia é produzida pelas empresas Cargill e Coca-Cola… (leia mais aqui).

Logo, levando tudo isso em conta, faz todo sentido o lançamento dessa tal Coca Life, numa tentativa da Coca-Cola em se adequar às novas tendências da atualidade, utilizando-se de boas doses de Greenwashing e de Healthwashing em seus produtos. Traduzindo em miúdos: 

Greenwashing: tentativa de atrair o consumidor passando a imagem/mensagem (enganosos) de que a empresa se preocupa com as implicações éticas e ambientais de seus produtos.

Healthwashing: produtos que aparentam ser saudáveis, mas que não tem nada de nutritivos.

Fonte: http://propaganut.wordpress.com/

Adoçantes Calóricos

Preste atenção – a maior enganação dos rótulos mora aqui! Os adoçantes calóricos são compostos que apresentam calorias, isto é, são metabolizadas pelo corpo fornecendo energia – em geral são transformados em glicose pelo fígado. Contudo, são (em geral) menos calóricos do que o açúcar. O principal grupo são os POLIÓIS, conhecidos como “sugar-alcohols”, ou “alcoóis de açúcar”, pois tratam-se de modificações químicas de moléculas de açúcares simples que, do ponto de vista da química orgânica, lembram tanto a estrutura dos açúcares como dos alcoóis. Estes compostos ocorrem naturalmente em algumas plantas, em pequenas quantidades, mas maioria dos utilizados industrialmente são sintetizados a partir de açúcares simples ou amido. Diferentes POLIÓIS têm metabolismo, calorias e impacto glicêmico completamente diferentes. Muitos são absorvidos de forma incompleta no intestino, sendo então metabolizados pela flora intestinal podendo provocar gases, estufamento e diarreia. Segue, abaixo, um comparativo dos vários polióis:

Ingrediente Doçura GI Cal/g
Sacarose (açúcar de mesa) 100% 60 4
Xarope de Maltitol 75% 52 3
Hidrolisado de Amido Hidrogenado 33% 39 2.8
Maltitol 75% 36 2.7
Xilitol 100% 13 2.5
Isomalte 55% 9 2.1
Sorbitol 60% 9 2.5
Lactitol 35% 6 2
Manitol 60% 0 1.5
Eritritol 70% 0 0.2

Preste Atenção: Esta é a Parte Mais Importante

Quase todos os produtos DIET como chocolates e “doces” diet contém POLIÓIS, e o mais comum é o MALTITOL.

O maltitol tem 75 do impacto glicêmico do açúcar, mas tem apenas 75% da doçura do açúcar, ou seja, são elas por elas. Acontece que, pela lei, o produto pode receber a palavra DIET no rótulo e pode receber a expressão ZERO AÇÚCAR no rótulo, mesmo que seja CHEIO de maltitol. Mas o maltitol eleva a glicose no sangue quase (75%) tanto quanto o açúcar!! Sim, mas, tecnicamente, não é um açúcar, portanto não é ilegal afirmar que o produto contém zero açúcar.

Por que a indústria faz isso? Bom, tenho minhas hipóteses. Primeiro, é preciso entender que o açúcar não serve apenas para adoçar (e viciar). Ele também fornece a TEXTURA de muitos alimentos. Assim, por exemplo, a textura do leite condensado é dada pelo açúcar. Se você adoçar leite com sucralose, você terá leite doce, e não leite condensado. O mesmo vale para doce de leite, geleias e, claro, chocolates. Assim, há um imperativo – uma necessidade – do emprego de substitutos que tenham características semelhantes às do açúcar.

Mas há uma interpretação mais cínica. A de que trata-se de uma forma explorar os furos da lei. Ou seja, vamos fazer um chocolate que tem o mesmo gosto do normal – porque no fundo É a mesma coisa, e eleva a glicose no sangue quase da mesma forma – mas que podemos fazer de conta que não é, pois a LEI permite dizer que é ZERO açúcar e DIET. Talvez agora você entenda por que a MELHOR COISA que já aconteceu para a indústria alimentícia é a ideia de que só o que importa são as calorias. Isso permite que eu fabrique um chocolate (ou geléia, ou doce de leite, etc.) usando maltitol e sucralose no lugar do açúcar, que vai elevar a glicose no sangue e a insulina 75% do que o original faria, terá o mesmo gosto, custará o DOBRO, engordará tanto quanto, mas será consumido por pessoas que querem emagrecer (e por diabéticos – pior ainda), pois tem 25% menos calorias!

Por isso eu insisto, evitem o junk food low carb – os rótulos são peças de ficção com o objetivo explícito de lhes passar a perna. Comida de verdade não tem rótulo e, portanto, não mente. Quer um chocolate?? Consuma um com mais de 70% de cacau e com açúcar de verdade. Como o sabor é forte, come-se pouco. E, pelo menos, é de verdade.

Quanto aos demais polióis:

. Sorbitol: é muito pouco absorvido, praticamente não tem impacto na glicemia e insulina, mas por isso mesmo dá gases e diarreia se consumido em quantidade. Por este motivo, em geral é usado apenas em balas diet;

. Isomalte: encontrado em raros produtos diet no Brasil, é um dos polióis mais adequados (baixo índice glicêmico);

. Eritritol: é o melhor de todos os polióis – sendo absorvido (portanto não costuma dar diarreia) e excretado intacto. Nunca vi em nenhum produto brasileiro.

MAIS UM ALERTA: Há mais algumas coisas que você deve saber. Os adoçantes artificiais, por serem 200 a 600x mais doces do que o açúcar, precisam vir diluídos em alguma coisa. Caso contrário, a quantidade de sucralose, por exemplo, necessária para adoçar um café seria quase invisível a olho nu. Então, os fabricantes misturam o princípio ativo (o adoçante) em algum outro pó para preencher o espaço do pacotinho. Acontece que este pó é, em geral, um carboidrato!!! Isso mesmo, você leu bem. Ocorre o seguinte: no pensamento corrente entre médicos e nutricionistas, só o que importa são as calorias. Assim, se você tiver um pacotinho de sucralose diluído em 1g de lactose, isso corresponde a apenas 4 calorias – ou seja, quase nada. Mas e se você usar vários pacotinhos por dia? Digamos que você use 2 pacotinhos no seu café/limonada/chá, 5x ao dia. Serão apenas 40 calorias, mas serão 10 gramas de puro açúcar que você pode facilmente esquecer de contabilizar. Os dois diluentes mais usados em adoçantes em pó são maltodextrina e lactose. Ambos são carboidratos e devem ser considerados como açúcar.

IMPLICAÇÕES:

1) Cuidado com sucos artificiais e gelatinas diet em pó – boa parte do pó contido no envelope costuma ser maltodextrina, ou seja, açúcar. Lembre-se, as pessoas só se importam com calorias e, ao contrário de você, não estão controlando gramas de carboidratos.

2) Cuidado com substitutos de açúcar em pó – aqueles que você pode usar A MESMA QUANTIDADE nas receitas que requerem açúcar. SÃO UMA FARSA. A indústria usa o mesmo estratagema já descrito acima para os chocolates diet: usar maltodextrina, que não tem gosto doce e não é considerado um açúcar por lei – embora 100% se transforme em açúcar no organismo – para dar o volume e as propriedades físicas do açúcar (afinal, na prática, é um açúcar), e adoçar com um adoçante não-calórico (em geral ciclamato e sacarina). Assim, podem – sem quebrar nenhuma lei – encher um pote de um pó branco doce que aumenta a glicose no sangue e escrever bem grande no rótulo: ZERO açúcar!

Considerações Finais

Nenhum adoçante é “páleo” (isto é, condizente com os princípios de uma dieta paleolítica). Mas nenhum de nós é perfeito. Assim, com isso em mente, façamos as seguintes considerações:

. Usar adoçantes como um ex-fumante usa adesivos de nicotina: para tentar largar o vício do açúcar;

. O objetivo é usar menos adoçantes com o tempo;

. Alguns adoçantes PARECEM bastante seguros, especialmente quando comparados à toxicidade já bem estabelecida do açúcar.

Quem quiser se aprofundar no tema, pode consultar o excelente artigo de Mak Sisson sobre o assunto.

Coca Cola-Post-12.08.2016-6E para Encerrar o “Teatro dos Horrores…”

Coca-Cola deve lançar cápsulas para fazer bebida em casa (como assim????)

Divulgação: A Luz é Invencível

A “Luz é Invencível” tem por norma não publicar links que não estejam ligados ao texto postado. Pedimos a compreensão de todos, e para qualquer dúvida, temos nossa caixa de sugestões onde todos podem livremente fazer suas colocações que serão arquivadas para consultas posteriores.
Nós agradecemos a compreensão de vocês.

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