Uma Crença Limitante: Acreditar em um Deus para ser Bom – 24.05.2015

Uma Crença Limitante: Acreditar em um Deus para ser Bom – 24.05.2015

(Nota Gilberto – Peço que leiam com a mente aberta, não tirem conclusões precipitadas, ouçam a intuição e o coração.)

A suposição de que a religiosidade possuiria uma relação causal com a expressão de comportamentos de cunho pró-social se chama “Hipótese Pró-social da Religião”, uma linha de pensamento extremamente difundida entre a população. Todavia, revisões e experimentos que buscaram testar essa possível relação entre moralidade e a crença em um deus parecem fazer coro com a ideia de que, após uma análise crítica, esta hipótese não se sustenta. A crença religiosa simplesmente não está relacionada com pensamentos e comportamentos morais e pró-sociais, da mesma forma que a descrença não pode ser relacionada a comportamentos amorais, o que é condizente com o que poderia se esperar de uma forma de pensamento agregado ao Laicismo, onde estão valores humanistas e secularistas, ou seja, valores devidamente separados de qualquer crença religiosa, mas pautados no conhecimento científico e filosófico em prol da humanidade e da sociedade.

(Nota pessoal: A religião (ou a falta dela) apesar de interferir na formação dos valores e atitudes de um indivíduo, é apenas um pequeno pedaço do grande sistema de crenças que é modelado durante a vida de cada pessoa. A religião é uma forma de balizar os comportamentos daqueles que acreditam, mas para os que não são religiosos outros valores são utilizados, valores estes que, inclusive, tendem a ser mais justificáveis do que a crença em um mundo espiritual pós-morte, como a ética, o respeito ao próximo, as evidências científicas que guiam as opiniões acerca de temas polêmicos, a intenção de coexistência pacífica com os outros indivíduos etc.) Os valores de um ateu ou agnóstico por exemplo, tendem a caminhar com uma visão menos conservadora da realidade. Os preceitos que justificam e guiam os valores que os indivíduos que não seguem uma fé em particular atribuem às coisas – e assim também os comportamentos resultantes desta equação – tendem a seguir pela direção do melhor para a humanidade, e pouco tem relação com algo místico, como escrituras sagradas ou a possibilidade de alcançar um futuro paraíso, mas sim na tentativa de ser melhor NO PRESENTE, para fazê-lo funcionar. Bom, mesmo assim, é claro que este grupo também possui as suas exceções.

Sendo assim, não é possível e nem honesto associar a crença em uma religião ou a inexistência desta, a atos criminosos e amorais. Todavia, a discussão é cabível, justamente por aqueles que não crêem em uma religião ou existência divina, fazerem parte de um dos grupos que mais sofre com o preconceito velado na sociedade, seja pertencente à uma doutrina diferente da usual, agnóstico ou ateu (Nota pessoal: Um grande número de pessoas acredita que a ”não crença” em deus é o “câncer da humanidade” e diretriz absoluta e fundamental para que seja engendrada em uma pessoa os traços definitivos de um psicopata, como exemplo, pessoas que apregoam que a violência na atualidade seriam resultados da “ausência de deus no coração” do indivíduo.).

Ou seja, não acreditar em um deus – seja ele qual for e não importa a religião – já é, antes de qualquer coisa, uma comprovação de que o indivíduo faz parte do lado “Mau” da humanidade, um maniqueísmo barato e raso, que não se sustenta. Não crer na existência de Deus não significa dizer que o sujeito não seguirá as leis e não possuirá valores humanistas, muito pelo contrário, já que a fé tende a ser uma justificativa utilizada para aniquilar todo e qualquer argumento – mesmo que pró-social e embasado – que vá de encontro ao dogmatismo e às ”bases sacras”. Como vimos anteriormente, a “Hipótese Pró-social da Religião” já foi comprovada não passar de uma falácia irreal.

Além daqueles que pensam que um mundo com “valores morais” não é possível fora da existência de Deus, estão aqueles que defendem que mesmo que a crença em Deus não fosse necessária para a existência de leis morais, ela é necessária pelo menos para fazer com que tais leis sejam cumpridas, já que sem a ameaça de uma ”punição divina”, as pessoas não agiriam de maneira moralmente correta (?!). Este argumento é insustentável por muitas razões (Nota pessoal: Primeiro, não existe evidência inquestionável de que os que crêem são moralmente superiores à aqueles que não crêem. Na verdade, não somente os estudos psicológicos falharam em encontrar uma correlação significativa entre a frequência da “adoração religiosa” e a “conduta moral”, como existem mais criminosos condenados teístas do que ateístas. Segundo, a ameaça de uma punição divina não gera um “dever moral”, ELA O ARRANCA. Assim, se nossa única razão para obedecer a Deus é o medo de ser punido ao não fazê-lo, então, desde um ”ponto de vista moral”, Deus não tem mais direito à nossa lealdade do que Hitler ou Stalin. Deus, neste caso, não seria um ser de puro amor e bondade, em vez disso, ele seria algo parecido a um ditador.).

Embora seja verdade que pessoas mentalmente doentes podem ser encontradas em qualquer lugar, se a crença em Deus funcionasse como um termômetro da moralidade de uma pessoa, nunca encontraríamos tantos casos de abuso sexual contra crianças como encontramos entre líderes religiosos (Nota pessoal: Esta é uma das evidências mais fortes do equívoco cometido ao estabelecer uma relação determinante entre a crença em Deus e a moralidade de uma pessoa. As pessoas que realizam tais atos deploráveis vivem suas vidas para Deus e sob as regras deste Deus.  São elas que acreditam que suas ações são observadas por este “ser” que dita o que é certo e o que é errado para tudo que existe no planeta, incluindo as ações morais. Apesar disso, são elas mesmas que agem imoralmente e que causam tanta dor à aqueles que deveriam ser protegidos pelos adultos: as crianças.).

Post-24.05.2015

Muitos dirão que não é possível tornar Deus responsável pela existência de todo mal ou pela prática dos atos deploráveis que ocorrem no mundo. E este não é o objetivo deste post. Independente de crenças religiosas, respeitando a todos que crêem em um Deus ou não, o que a evidência mostra é que há pouca ou nenhuma correlação entre ser uma pessoa de valores morais elevados e ser “crente em Deus” (Nota pessoal: Atos moralmente elevados ou imorais, definitivamente podem ser encontrados dentro e fora da religião, porque pessoas moralmente elevadas e pessoas imorais podem ser encontradas em todo lugar. Os grupos aos quais elas pertencem podem ajudar a modelar suas tendências naturais, mas não definem nem transformam suas essências.).

Muitos estudiosos e sociólogos do fenômeno da crença perceberam de maneira correta, que padrões morais universais são necessários para um funcionamento apropriado da sociedade. Mas muitos deles se equivocaram ao afirmar que somente através da crença em Deus, a conquista e o estabelecimento de tais padrões são possíveis. Filósofos tão diversos como Platão, Immanuel Kant, John Stuart MillGeorge Edward Moore e John Rawls demonstraram que é possível ter valores morais universais fora da crença em Deus (Nota pessoal: Para entender a vida ou para entender os valores morais não é necessário acreditar em Deus. Isso é uma escolha totalmente individual que não está atrelada a ser bom, honesto e correto, respeitando todos os indivíduos em uma sociedade).

Post-24.05.2015-1Conclusão

Ao contrário do que os religiosos e moralistas de plantão querem que acreditemos, o que a nossa sociedade realmente precisa não é de mais “religiosidade”, mas de uma noção mais rica da natureza da Consciência Cósmica Universal e a ideia de Plenum Cósmico/Deus. Talvez, ao invés de nos reunirmos para estudar a Bíblia, deveríamos nos reunir para estudar Filosofia e o pensamento de nossos filósofos mais famosos. Tenho certeza de que isto nos tornaria não somente mais críticos, mas também pessoas de valores morais mais elevados. Nós, da “Luz é Invencível” quisemos com esse texto , abrir mais o leque de possibilidades para ampliar o sentido do Divino em cada um de nossos leitores e interessados na evolução, pois, sem preconceitos religiosos, acreditamos ser possível um maior entendimento de nossa sociedade como um todo, desdogmatizando e assim libertando as pessoas de falsos moralismos e julgamentos, já que todos são livres para acreditar ou não, agindo de acordo com seu próprio discernimento interior. O Plenum Cósmico/Deus tem um sentido individual para cada um separadamente, e ELE se revelará cada vez mais, de acordo com a capacidade individual de compreendê-lo que cada um conseguir alcançar.

“Eu aceito o mesmo Deus que o nosso grande Spinoza chama a Alma do Universo, não creio num Deus que se preocupe com as nossas necessidades pessoais.” – Albert Einstein.

(Nota Gilberto – A palavra Religião é derivada do latim “Religare” que significa “Ligar”, “Voltar a Ligar”. Se fosse possível se “Ligar” a Deus buscando respostas no exterior (igrejas, templos, capelas e etc.) a civilização não estaria desta forma: falta de moral, desrespeito ao seu próximo, guerras e etc.. Na verdade, as Religiões não aproximam os seres, mas os dividem, pois cada uma quer ter a exclusividade da verdade. As Filosofias (ou Ciência de Vida) Tibetana, Hindu, a Teosofia, o Kardecismo, a Umbanda e Metafísica são totalmente diferentes: pregam o “encontro consigo mesmo”, a meditação para nos encontrarmos com nossa “Divindade”, e que todos somos iguais, irmãos e irmãs. Mestre Jesus, Budda e tantos outros Mestres, nos ensinaram e permanecem ensinando a buscarmos em nosso interior. Mas temos de ser sensatos, por exemplo: se tenho uma visão ou uma vivência em uma meditação, esta “Revelação” é somente minha, pertence à minha vida particular, não posso ir ao encontro de alguém ou dos “meus fiéis” e falar que esta “Revelação” é a verdade e é para eles seguirem ao “pé da letra”, e é que ocorre na atualidade com diversas seitas, além, é claro, do enriquecimento em cima da ignorância das pessoas. Um detalhe importante: se aceitarmos a ideia de “temer” a Deus, um Ser falho que tem oscilações de temperamento, de humor, que se arrependeu de ter criado o homem e resolveu exterminá-lo da face da terra (?), este medo ficará gravado em nosso interior e então, como iremos fazer a conexão com Ele? Qual filho deseja se aproximar de um Ser assim? Outro detalhe importante: a Terra é uma “Escola de Vida”, temos de aprender diariamente com leituras edificantes, como iremos entrar na faculdade se permanecermos lendo e relendo (e a cada leitura interpretarmos de uma forma diferente, confundindo a mente) um livro com histórias (mesclados de estórias) de mais de 2.000 anos e que foi manipulado por humanos para enriquecimento ilícito e para manter o controle mental e psicológico de uma sociedade? Tirem suas conclusões com o coração). 

Bibliografia para consulta

A Ética da Crença – William James
Andaimes do Real – Psicanálise da Crença – Fábio Antonio Hermmam
O Conhecimento de Deus – Michel C. Tolley
Brincando de Deus – Uma Conversa sobre a Ética – Tony Watkins

Nota: Biblioteca.

Divulgação: A Luz é Invencível

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