O Desenvolvimento do Princípio Autoconsciente – 14.04.2015

O Desenvolvimento do Princípio Autoconsciente – 14.04.2015

O melhor método para desenvolver em si o princípio autoconsciente e dar, à própria vida, um papel predominante ao seu verdadeiro “Eu”, é procurar lembrar-se dele em todas as manifestações da vida; aprender a ouvir sua voz além das vozes geralmente mais fortes de todos os outros pequenos “eus”, avaliar cada uma das últimas e conscientemente escolher entre elas, seja rejeitando, seja aproveitando-as. Fazer desse “Eu” o critério constante de toda a nossa atividade e, se for preciso, dar-lhe o papel da Consciência, que não é outra coisa que o aspecto ético do princípio autoconsciente. Os exercícios que nos ajudam nesse sentido são as meditações/ponderações sobre a composição de nosso próprio ser. Os assuntos básicos para tais meditações são:

1 – Nosso corpo físico, com todas as suas funções, exigências, etc. NÃO É NOSSO VERDADEIRO EU, pois podemos mandar em nosso corpo, quando treinado e sob controle da mente, submetê-lo à nossa vontade ou, pelo contrário, estarmos cientes de que somos escravos, quando nos deixamos levar por ele de forma instintiva somente, obedecendo aos seus “gostos e fantasias”.

2 – Nossos sentimentos e emoções–o corpo astral – NÃO SÃO NOSSO VERDADEIRO EU, pois frequentemente estão também em oposição com a nossa vontade consciente; igualmente podemos dominá-los ou cair sob seu domínio.

3 – Nossos pensamentos NÃO SÃO NOSSO VERDADEIRO EU, pois podem invadir-nos contra a nossa vontade consciente; com treinamento, poderemos dirigi-los para onde queremos.

Por esse método de compreensão, chegamos ao fato de que existe “algo”, um verdadeiro “Eu”, que pode controlar e reger todos esses elementos. É bom ilustrar tais meditações/ponderações pelos fatos da nossa própria vida, em que a existência desse “algo superior” se manifestou claramente. Desde o primeiro grau do nosso desenvolvimento interno, o verdadeiro “Eu” pode manifestar-se através de duas formas: pelo aspecto autoconsciente e pelo aspecto ético. O primeiro, manifesta-se através do mental; o segundo, através dos sentimentos.

DESENVOLVENDO O PRIMEIRO ASPECTO

Para desenvolver esse aspecto, devemos procurar saber sempre “o que” estamos fazendo e “porque” estamos fazendo. Devemos nos esforçar para observar nossos pensamentos e sentimentos, chegando, mais tarde, a poder controlá-los e regê-los. Esse exercício de meditação/ponderação e análise tem um grande valor se aplicado na vida, pois ele tem a função de tornar o nosso verdadeiro “Eu” um fato em nossa vida, saindo do âmbito das especulações e filosofias. Naturalmente que exercer esse controle requer prática cada vez mais em todos os momentos, o que se adquire com a ATENÇÃO, pois se não for feito assim, perdemos o contato com esse “Eu” verdadeiro, que é extremamente íntimo e pessoal e geralmente, vivemos sempre a maioria do tempo no piloto automático e à mercê das emoções do momento, sem parar para pensar, somente reagindo aos fatos do cotidiano com o nosso “eu” inferior da personalidade. Tal estado de contínua atenção é chamado de “estado de recolhimento interno” ou “vigília da mente”. No Hermetismo, para ensinar a manter esse estado, usa-se o método de “prioridade”, utilizando-se as seguintes perguntas:

1 – Qual é o momento importante? – O Presente.

2 – Qual é a ação mais importante? – Aquela que estou fazendo neste momento.

3 – Qual é a pessoa mais importante? – Aquela com a qual estou, no momento, em contato direto.

Tudo isso sublinha a importância de cada momento presente e da necessidade de ser consciente em qualquer circunstância da vida. O aspecto exclusivamente mental, inicialmente, fornece muitas indicações úteis para introduzir a conscientização na vida, especialmente nos hábitos que se tornaram quase automáticos e, às vezes, são chamados de “segunda natureza”. Estes, frequentemente, são mais difíceis de controlar do que os pensamentos ou sentimentos.

DESENVOLVENDO O SEGUNDO ASPECTO

A segunda forma através da qual o “Eu” se manifesta é a da avaliação ética. Este tipo de manifestação pode ser desenvolvida como sensibilidade interna a esse aspecto do “Eu”. O melhor meio para fazê-lo é prestar muita atenção cada vez que percebemos a tênue voz do nosso “Eu”. A maioria das pessoas só a nota somente quando se tornou bem alta e os incomoda se, todavia, não se tornaram completamente surdos à essa voz interna. Quando somos espiritualistas sinceros somos mais sensíveis à essa voz e a condição para nosso progresso é que cada problema de nossa vida, relacionada com a ética, seja resolvido em harmonia com essa voz; resumindo, conseguiremos isso somente procurando levar a vida diária em harmonia constante com esse critério superior.

Com a realização desses dois aspectos da vida prática, revela-se o verdadeiro “Eu” humano. Esses dois aspectos de sua manifestação são complementares e desenvolvê-los é igualmente indispensável. A deficiência de um, reduz o valor do outro. Assim, a ausência do aspecto ético resulta num desenvolvimento exclusivamente mental, e a deficiência da conscientização mental – a pessoa limitando-se a ouvir e seguir a voz interna– pode conduzir à perda total do senso crítico quanto à genuinidade desta voz. O valor dado exclusivamente à conscientização mental caracteriza as escolas puramente racionais; a submissão incontrolada às vozes internas é um caso frequente entre as seitas místicas. Aquele que deseja ser um discípulo do Caminho em seu trabalho interno, deve ter sempre em mente a possibilidade de tais erros na busca do seu Ser interno.

Estar sempre consciente e em harmonia com seu verdadeiro “Eu”, corresponde à passagem do estado EXOTÉRICO, em que vive a grande maioria dos homens, ao estado ESOTÉRICO, indispensável para o progresso no Caminho.

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DESENVOLVENDO A BIPOLARIDADE INTERNA

Como sabemos, a maioria dos seres humanos é bipolar ou dual, possuindo em si, elementos masculinos e femininos, bons e ruins, construtivos e destrutivos. O trabalho em desenvolver essas dualidades para o lado positivo consiste em:

1 – Descobrir em si mesmo os elementos “M” e “F”, tanto positivos como negativos.

2 – Superar as características negativas, procurando substituí-las pelas positivas da polaridade oposta.

3 – Fortalecer as características positivas já existentes, especialmente as do sexo oposto e procurar adquirir as características positivas inexistentes.

4 – Praticar na vida diária e no trabalho criativo os aspectos positivos das duas polaridades.

5 – Sublimar os aspectos “M” e “F”, integrando-os em um só.

ALGUMAS TABELAS – GUIAS PARA REFERÊNCIA

Características Psíquicas – MASCULINAS

Positivas – Negativas
Capacidade de decisão – Incapacidade de percepção
Sensibilidade – Dureza de coração
Firmeza de caráter – Cinismo; Inconstância
Sensibilidade da alma – Grosseria
Magnanimidade – Prodigalidade
Sinceridade – Falsidade; Dissimulação
Generosidade – Mesquinharia
Lógica – Falta de Lógica
Exatidão – Contradição
Capacidade de pensamento abstrato e filosófico – Gosto de fazer deduções espetaculares sem bases suficientesAvaliação Objetiva – Confusão mental
Retidão – Falso caráter
Honestidade – Desonestidade
Flexibilidade – Cristalização e formalismo 

Características Psíquicas – FEMININAS

Positivas – Negativas
Compaixão – Insensibilidade
Modéstia – Soberba; Prepotência
Amorosidade – Rancor e Ódio
Paciência – Incompreensão
Sensibilidade da alma – Retraimento; Insensibilidade
Proteção – Egoísmo
Prudência – Inconstância; Irresponsabilidade
Intuição – Lógica fechada
Análise meticulosa e deduções cuidadosas – Verbosidade e falta de clareza na expressão
Capacidade de ver os seres vivos atrás dos conceitos abstratos – Subjetivismo no pensamento
Flexibilidade mental e rapidez na compreensão – Incapacidade de pensamento abstrato
Alcançar as verdades do intelecto pelo coração – Orgulho mental e convicção de tudo poder alcançar pelo intelecto
Astúcia mental – Inclinação às afirmações puramente teóricas
Suavidade – Dureza nos sentimentos

MônadaAlmaPersonalidade

METODOLOGIA DO  TREINO

Recomenda-se que seja copiado todas essas características em uma folha de papel e, começando pelas positivas e negativas DO SEU PRÓPRIO SEXO, analisar cuidadosamente cada aspecto, em relação á si mesmo. Analisando-os, é útil lembrar os acontecimentos da vida de cada um, quando uma e outra dessas características apareceu mais nitidamente. É preciso que, ao fazer esta análise, seja completamente honesto e objetivo consigo mesmo, não fechando os olhos sobre suas fraquezas e não querendo justificá-las ou enfeitá-las. Deve examinar-se a si próprio do ponto de vista do verdadeiro “Eu”. Se não estiver seguro de possuir alguma qualidade, se ela ainda não se expressa plenamente, é melhor classificá-la como inexistente. Entretanto, a subestimação não é conveniente; é aconselhável que seja absolutamente honesto consigo mesmo e, no caso de dúvida, pode ser deixado de lado a priori, para uma melhor meditação a posteriori.

Nas tabelas, podemos observar que as características tanto M quanto F se contrapõe umas ás outras. Sendo assim, a superação de um aspecto negativo M ou F se expressará como desenvolvimento do positivo da polaridade oposta. Para facilitar esse trabalho, sugerimos 2 exercícios: É importante enfatizar que os exercícios devem ser feitos com concentração e calma, sem esforço, afim de adquirir uma característica positiva e nunca tendo por base, superar a negativa. Pela concentração ou meditação sobre um aspecto negativo, fortalecemos inconscientemente as vibrações do mesmo.

1 – CONCENTRAÇÃO COM AUTO-SUGESTÃO

Escolher uma qualidade (uma só) que se deseja adquirir. Tomar uma postura cômoda,relaxando os músculos. Respirar profundamente e lentamente. Concentrar-se sobre a qualidade escolhida (por exemplo, a coragem) e repetir 3 vezes, sempre no presente e com plena convicção; – “Eu sou corajoso”, como se a coragem já tivesse sido adquirida. Aconselha-se a dizê-lo primeiramente em voz alta e ir diminuindo a intensidade da voz, até ficar somente a ideia mentalmente. O exercício deve ser feito várias vezes, de acordo com a disponibilidade de cada um. O ideal seria fazê-lo pela manhã e à noite, como um exercício meditativo direcionado.

2 – CONCENTRAÇÃO ACOMPANHADO COM RESPIRAÇÃO PSÍQUICA

A mesma postura de relaxamento é necessária, como explicada no tópico anterior, só que acrescida de respirações regulares, pausadas e profundas. Feito isso, podemos criar uma imagem mental nítida da qualidade desejada; pode até mesmo ser um símbolo dela, uma imagem que se tem na memória que personifique essa qualidade. Mantendo essa imagem na mente, inspirando o ar, imaginar que se absorve essa qualidade que a imagem/símbolo representa. Durante a retenção do ar, imaginar que essa qualidade penetra e permeia todo o ser; durante a expiração, concentrar-se na região cardíaca ou cerebral, de acordo com o tipo da qualidade que se quer firmar. No momento em que os pulmões esvaziam-se, as vibrações no centro correspondente se tornam realmente ativas. Repetir o ciclo várias vezes, sem todavia chegar ao cansaço ou afrouxamento da atenção.

3 – E PARA QUEM PRATICA MEDITAÇÃO

A mesma postura e relaxamento muscular como nos exercícios anteriores é requerida. Concentrar a atenção sobre a qualidade desejada. Neste caso da meditação, pode ser feito de duas maneiras:

– MEDITAÇÃO OBJETIVA

Pode-se meditar essa qualidade que se deseja, na forma como ela se manifesta na literatura, nas imagens, na vida contemporânea, como gostaria que fosse no seu dia a dia, sobre o valor dela na vida do ser humano, e outras colocações pessoais. Seria produtivo que essa meditação seja repetida por vários dias. Essa meditação objetiva deve anteceder a meditação subjetiva.

– MEDITAÇÃO SUBJETIVA

Pode-se imaginar a si mesmo como possuindo a qualidade desejada (sempre no presente e não no futuro). Vivenciar, na imaginação, como se fosse realidade, diversos casos em que a qualidade em questão se manifesta com força. Essa meditação poderia ser chamada, com razão, de Concentração Criadora. É importante não limitar o tempo do exercício; isso poderia desviar a atenção e afetar a inspiração criadora, que é o fator mais precioso neste exercício. A Meditação deve acabar naturalmente, quando determinamos: -“acabamos por hoje”.

Os exercícios para desenvolver a bipolaridade interna podem ser feitos todos em conjuntos ou podemos escolher um ou dois, individualmente mais apropriados. Nunca se deve insistir em fazer ou em continuar a fazer exercícios que, por uma razão particular não nos convém, seja porque causam algum distúrbio interno, seja porque não deram resultado, depois de corretamente praticados. É importante também que trabalhemos uma qualidade por vez e que passemos à próxima, após ter alcançado um resultado satisfatório. É melhor procurar desenvolver as qualidades de nosso próprio sexo primeiro, ou , superar os defeitos/imperfeições dele, e somente depois, passar as qualidades do sexo oposto e seus defeitos. As qualidades do sexo oposto são, geralmente mais difíceis de realizar e a experiência adquirida para se obter as do seu próprio sexo, facilita a tarefa.

CONCLUSÃO

Somente a vida cotidiana pode dizer se determinadas qualidades foram realmente adquiridas, se os exercícios e o equilíbrio entre estas polaridades de forma criativa, deram o resultado esperado. Devemos aproveitar cada oportunidade para verificá-lo. Entretanto, a vida diária nem sempre fornece tais oportunidades e, portanto, precisamos nós mesmos, criá-las. Assim, por exemplo, poderemos dedicar um dia para praticar algum aspecto positivo M, um outro dia, um aspecto positivo F. Naquele dia, em todas as nossas atividades, por exemplo  em casa, na sociedade, na família, no ambiente de trabalho, em nossos pensamentos e palavras, procuremos expressar aquela qualidade escolhida. Porém, tudo deve ser feito com ética, sinceridade e espiritualidade, visando aperfeiçoar nossas percepções, nossas reações e nossos sentimentos. Com esta via livre e unificada, poderemos com certeza, ao longo da prática e dedicação, penetrar nos mistérios do nosso Eu Superior, nossa essência mais íntima e preciosa. As orientações virão cada vez mais claras e intensas, em todas as áreas de nossa vida, provando cada vez mais, para nós mesmos, que somos parte da pura Luz da Consciência Maior.

“Ser o Eu superior que você de fato é, consiste no único meio de realizar a Beatitude que sempre foi sua” – Maharishi – Guru dos Beatles.

Bibliografia para consulta

1 – A Busca do Eu  Superior – Paul Brunton
2 – Ensinamentos de G. O. Mebes – Iniciações  e seus passos para a Evolução Espiritual – G. O. Mebes
3 – Como Ascender ao seu Eu Superior – Elisabeth Claire Prophet
4 – Contatos com o Eu Superior – Eugene Kussek
5 – Masculino e Feminino – O Princípio da Criação – Omraam Ainvanhov
6 – A Holistic and Practical Guide of Happy Living – K. Ravindran
7 – A Bem-aventurança da Chama Interior – Lama Yeshe
8 – Em busca de Ser Proativo – Enildo de Oliveira
9 – Como Reencontrar a Paz de Espírito – Maro Schweder
10 – Rumo Certo – Chico Xavier
11 – Meditação e Relaxamento – Marielle Renssen
12 – O que é a Meditação? –  Eckhart Tolle
13 – Meditação e Superconsciência – Swami Prabhupada Bhaktivedanta

Nota – Alguns livros estão disponíveis em nossa Biblioteca Virtual.

Divulgação – A Luz é Invencível

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