Transcender – 04.02.2015

Transcender – 04.02.2015

A maioria de nós começa a vida com total amor e aceitação do mundo que nos cerca. Porém, à medida que ficamos mais velhos, aprendemos a restringir esses sentimentos em resposta às experiências imprevisíveis da vida. Vivenciamos tanto coisas boas quanto ruins e o significado destas experiências nem sempre nos é muito claro. Ficamos presos no jogo cotidiano de escrever enredos e desempenhar papéis. Dramatizamos o nosso Ego, que é a história de quem pensamos ser. O chamado “cartão de visitas” é na realidade o cartão da nossa história. Quanto mais pensamos que a nossa história, feitos e reconhecimentos representam tudo o que somos, mais sofremos porque isso não é verdade

Obviamente, muitos de nós tentamos seguir adiante reinventando a nós mesmos externamente, mas, mesmo assim, a poderosa necessidade interna de auto-despertar e a aparente falta de Amor ao nosso redor podem fazer com que a vida pareça quase insuportável. E confundir a nossa história com a nossa verdadeira natureza, leva ao paradoxo e á uma contradição interna insustentável. Tão importante é não esperar ou ansiar por aplausos – ou até mesmo um “muito obrigado”. Se nós fizermos o nosso trabalho da melhor maneira possível de acordo com a nossa melhor capacidade, não precisamos realmente de aplausos de pé.

São abundantes as forças destruidoras. Vivemos ainda num mundo de concorrência, aquisição e consumo. Convivendo com TV, mídia em geral, raramente vivenciamos um momento de quietude, já que esta superexposição à essa mesma mídia, fixa uma enorme ênfase em quem devemos ser, o que pode fazer com que a depressão se torne uma parte normal da vida. Vivemos num mundo midiático de sobrecarga de dados e turvação, em que tudo nos tira a atenção de tudo o mais. No entanto, subjacente a esse ataque estrondoso, a nossa cultura não nos oferece nada de transcendente; nenhuma esperança perdurável e nenhum significado mais profundo.

A meta da publicidade é fazer com que nos sintamos infelizes e necessitados para, então, nos prometer alívio. O propósito disso é “criar sofrimento”, que só poderá ser aliviado, cedendo-se aos apelos da mesma publicidade, adquirindo algo, por exemplo, que nunca pensamos nem temos necessidade de ter. Vivendo permanentemente em um ambiente multimídia sem qualquer proveito para o nosso crescimento e aumento de Consciência, estamos ainda expostos á uma atmosfera desumanizadora, onde passamos a ser tolerantes e até indiferentes à violência e às dificuldades vivenciadas pelos outros. Começamos a ver o sofrimento dos outros “televisados”, como se estivessem separados de nós, como essa sobrecarga de mídia, tivesse sobrecarregado o nosso “chip de empatia”.

Embora nós todos tenhamos a experiência do sofrimento em nossas vidas, muitas pessoas armazenam suas dores e ressentimentos emocionais, suprimindo e não expressando seus sentimentos e emoções. Outros extravasam os sentimentos pela fúria e pela ira, sem perceber a causa-raiz. Seja reprimindo, seja extravasando, a nossa cultura despende milhões em psicólogos e psiquiatras, muitas vezes sem nunca explorar plenamente os “fundamentos” do porque não estamos felizes. Aquietar nossas mentes nunca é fácil e é certamente mais difícil em níveis mais profundos de percepção e de desenvolvimento interno para determinar a fonte do nosso sofrimento.

Sempre que a paz procura estar presente, o caos também tenta ganhar controle. É essencial que superemos a mentalidade ambígua e venenosa do “nós contra eles”, estimulada pela mídia. Cada um de nós é capaz de sair da visão dualista do mundo, mudando o modo de agir e pensar em relação aos outros. Seremos mais felizes se trabalharmos juntos como uma força coletiva, POIS SOMOS TODOS UM EM CONSCIÊNCIA.

A investigação da vida tem a capacidade de transcender as ilusões de uma individualidade separada que tenta encontrar respostas num mundo material, onde o dinheiro jamais consegue comprar o Amor ou a Felicidade que buscamos. Não podemos aliviar o sofrimento substituindo uma história centrada no Ego por outra – ou buscando outro “EU” fora de nós, afim de encontrar a plenitude.

A ideia de que nós somos uma metade buscando outra metade, ambas fracionadas, nunca dará certo. Isso seria uma co-dependência doentia que frequentemente leva ao ressentimento, quando a outra metade desiste de fazer o que fazia para que nos sentíssemos inteiros. Quando a outra metade ou algo material não preenche as nossas necessidades, nós nos convencemos que qualquer interação com pessoas, relacionamentos e situações só terão sentido/validade, quando nos sentirmos integrados ao nosso Ser interno, felizes com nossas escolhas e centrados no CORAÇÃO, para poder COMPARTILHAR com essas mesmas pessoas, relacionamentos ou situações. Ao transcender a ilusão de uma individualidade separada, somos capazes de entrar em contato com a nossa verdadeira natureza amorosa, antes de qualquer outra coisa.

A realidade relativa ou convencional envolve a nossa experiência cotidiana do mundo e tem muitas vezes como base a cultura e a linguagem. Por exemplo, fiéis de várias religiões, tem sua maneira “verdadeira” de louvar. Concordamos em chamar e dar nome às coisas que vemos, rotulá-las de determinado modo; expressamos a realidade convencional dizendo; “dei a todas as coisas que vejo o significado que elas tem para mim”.

Estamos portanto, falando de dois aspectos da realidade ou verdade. O relativo e o absoluto. Não existem diferenças fundamentais entre as duas realidades e que a existência individual, não pode ser ancorada fora do contexto da experiência do dia-a-dia. Portanto, a realidade absoluta baseia-se na realidade relativa, e as duas realidades são a mesma coisa, inseparáveis, indivisíveis, mas dependentemente co-originadas.

Mas como Transcender essa Dualidade?

Administrar a dualidade é complicado, mas na medida que nos disponibilizamos para a evolução (percebendo que é ela o sentido da existência), nos tornamos flexíveis, e na sequência mais suscetíveis à simplificação. Esta sim, nos facilita a convivência harmônica e sadia com a inevitável condição dual das coisas e pessoas em nosso entorno. – Como simplificar?

Algumas possíveis soluções para pensar;

– Ter um momento íntimo consigo mesmo todos os dias, sentar, fechar os olhos e mergulhar neste vasto oceano que é o Si mesmo. Meditar ajuda a transcender a dualidade.

– Aprenda a dizer não sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.

– Planeje seu dia, sim, mas deixe sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de você.

– Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, você se exaure.

– Esqueça, de uma vez por todas, que você é imprescindível. No trabalho, em casa, no grupo habitual. Por mais que isso lhe desagrade, tudo anda sem a sua atuação, a não ser você mesmo.

– Abra mão de ser o responsável pelo prazer de todos. Não é você a fonte dos desejos, o eterno” mestre de cerimônias.”

– Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.

– Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.

– Família não é você, está junto de você, compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade. Não queira saber se falaram mal de você e nem se atormente com esse lixo mental; escute o que falaram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.

– Uma hora de intenso prazer substitui com folga 3 horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca uma oportunidade de expandir-se com coisas que possam trazer mais auto-conhecimento, alegria, felicidade e amor.

Embora todas as percepções sejam válidas como uma realidade relativa, prender-se à uma delas e não estar disposto sequer a olhar todas as outras realidades, é a ilusão que separa o relativo do absoluto. Com apenas uma pequena mudança de percepção, podemos nos libertar do espaço restritivo do nosso relativismo pessoal e do sentimento de que somos vítimas das circunstâncias. Nós todos temos o poder de retomar o controle de nossas vidas e vivenciar as nossas individualidades mais elevadas em vez de simplesmente deixarmos que as coisas aconteçam conosco.

É estranho como a vida inteira de alguém, pode ser reorientada pelo modo como algumas partículas de poeira se assentam na superfície da realidade.

Tome o poder de controlar sua própria vida. Ninguém mais pode fazer isso por você. Leve o poder para tornar a sua vida feliz. Vivemos só para descobrir beleza. Todo o resto é uma forma de espera. (Khalil Gibran)

Monica F. Jardin

Bibliografia para consulta:

Transcendência – Dr Norman Rosenthal

A Eterna Busca do Homem – Paramahansa Yogananda

(Nota Gilberto – Leia também – “Como Transcender o Conceito de Dualidade” e “Linhas de Tempo da Transcendência nos transportam para o Novo Tempo“).

Divulgação: A Luz é Invencível

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